A delimitação do tema

Escolher um tema para a pesquisa de uma monografia não é um trabalho simples. No entanto, devemos enfrentá-lo com responsabilidade, pois dela derivará o restante de todo o processo. Escolher um tema implica em avaliar múltiplos aspectos, pois além do gesto de escolher o tema da pesquisa está o de se preparar para delimitá-lo. Esta é uma tarefa fundamental, pois nela fixaremos os limites do campo de atuação no qual se movimentará a pesquisa.

Na delimitação ficam expostos todos aqueles aspectos do tema que interessam ao autor da monografia, bem como aqueles que não tomaremos em conta, explicando as razões desta decisão. Por conseguinte, uma vez que o tema da pesquisa seja escolhido, o próximo passo é a sua delimitação para dar continuidade à elaboração da monografia. Para fazê-lo é necessário ter um conhecimento de relativa amplitude em torno do mesmo, pois só assim se poderá ter argumentos para a delimitação, sendo possível então saber em que implica o tema e tomar as decisões necessárias para delimitar seu campo de atuação.

A seguir, seguem duas delimitações temáticas diferentes, com diferentes objetos de estudo. A idéia é que se possa ler e estudar com atenção, observando como deve delimitar o tema selecionado.

Note-se que ao final de cada processo de delimitação se enuncia o tema com frases claras, concretas e diretas. Isto permite que o leitor seja introduzido desde o mais geral até o mais específico, que é o que em realidade vai ser trabalhado na monografia.

É preciso levar em consideração que nenhum tema é indiferente aos efeitos das considerações que devem ser realizadas em sua delimitação. É por isso que cada tema demonstra sua originalidade justamente nesta etapa da elaboração da monografia. Desta maneira, cada pesquisador é livre para determinar que aspectos de seu tema o interessam e quais não.

Exemplo de delimitação de tema nº 1: Curso de Filosofia

A possibilidade de compatibilidade entre o Determinismo biológico e a responsabilidade ética segundo a proposta de Daniel Dennett (2005), fundamentalmente em seu livro, A liberdade evolui, é o tema principal para a presente proposta de pesquisa. Na obra mencionada, este autor expõe um modelo compatibilista, onde o determinismo não implica ou é equivalente a inevitabilidade e admite a possibilidade de imputar responsabilidade moral por nossos atos. Os aspectos nos quais se centrarão esta pesquisa serão os relativos principalmente ao determinismo e a responsabilidade ética com a intenção de avaliar a possibilidade de compartilhar ambas.

O autor no qual esta pesquisa se apoiará para examinar o problema, Daniel Dennett (2005), é indubitavelmente um dos filósofos contemporâneos mais relevantes na discussão ética atual. Professor de Filosofia e Diretor do Centro de Estudos Cognitivos na Universidade de Tufts, Dennett (2005) é amplamente reconhecido por suas pesquisas em diversos campos como a filosofia da mente, evolução e filosofia da linguagem.

A possibilidade do compatibilismo é analisada por Dennett em várias de suas obras. No entanto, é em A liberdade evolui que o desenvolve com mais amplitude e detalhamento, já que, além de ser o tema central da obra, ao ser esta a última publicada por Dennett, reúne tudo o que foi escrito por ele sobre o assunto. As conseqüências da proposta compatibilista de Dennett (2005) são muitas e relevantes para diferentes âmbitos.

Para o presente estudo, não serão consideradas as conseqüências, pois apesar de serem muitíssimo interessantes seus desdeobramentos, não é o propósito deste trabalho abranger tudo o que estiver relacionado ao modelo compatibilista de Dennett, mas como colocado, será restrito ao estudo do próprio modelo descrito pelo autor.

As concepções e teses biológicas utilizadas por Dennett são de corte evolucionista, especificamente darwinista, motivo pelo qual existirão referências em alguns pontos da monografia a estas teorias. No entanto, não é objeto principal deste estudo fazer uma exposição sobre as teses darwinistas, portanto não haverão tratamentos aprofundados a esse respeito que não sejam aqueles estritamente necessários para esclarecer e expor as idéias de Dennett a respeito do Determinismo.

O enfoque com o qual o tema será abordado será estritamente filosófico, inclusive os aspectos próprios da biologia serão expostos à luz de seus envolvimentos e relevância filosófica.

Nesse contexto, o tema de pesquisa desta monografia poderá ser enunciado da seguinte forma: Determinismo biológico e a responsabilidade ética segundo a proposta de Daniel Dennett: A evolução da Liberdade (2004).

Referências

DENNETT, Daniel C. A Liberdade Evolui. Lisboa: Temas e Debates, 2005.

Exemplo de delimitação de tema nº 2: Curso de Relações Internacionais

O Sistema Eleitoral Norte-americano tem uma particularidade curiosa que para a maioria das pessoas é desconhecida: trata-se de um sistema de segundo grau. Devido a isto a população norte-americana, durante as eleições presidenciais, não elege de maneira direta seu candidato. A distinção mais importante, que sobressai quando se fala sobre um sistema eleitoral de segundo grau, é precisamente essa: que o voto não é direto.

Considerando que a Democracia nos Estados Unidos é uma das mais antigas e reconhecidas, é difícil de entender esta configuração. Tal particularidade não é nova e tem funcionado assim desde o nascimento deste Estado Democrático. Foi um dos instrumentos mais importantes para sua estruturação, delimitado pelos Founding Fathers na primeira Constituição Federal, a qual segue reconhecida na atualidade como “Colégio Eleitoral”. No Colégio Eleitoral, os votos outorgados a cada estado são designados a indivíduos escolhidos pelas entidades federais para exercer o ato de eleição em representação da cidadania daquele estado.

Nesse sentido, esses “eleitores” estão localizados entre os dois elementos essenciais em qualquer sistema eleitoral: o votante e os candidatos a eleger. A relação entre Sistema Eleitoral e Colégio Eleitoral é direta. Cada estado tem seu Colégio Eleitoral que funciona para distribuir de maneira equitativa, mediante valoração demográfica, os votos que representariam a maioria.

Como exceção à regra, surgem situações particulares em que o voto majoritário não coincide com o voto do Colégio Eleitoral. São estas situações as de sumo interesse na proposta desta monografia.

Ao entender o sistema e seu articulador principal, pode-se comprovar sua ação e funcionamento em um fato polêmico: as eleições presidenciais de 2000. Estas eleições são parte dessa exceção à regra mencionada anteriormente. O candidato com o voto majoritário da população não resultou no presidente eleito.

O estado conjuntural neste caso foi o Estado da Florida. Seu Colégio Eleitoral se viu fracionados praticamente em dois e, dadas algumas circunstâncias assinaladas publicamente como de transparência questionável, criou-se uma árdua confrontação pelos resultados entre os dois partidos principais: Democratas e Republicanos.

É desta forma que surge, na visão do autor desta monografia, um interessante tema de estudo: O Colégio Eleitoral no Sistema Eleitoral dos Estados Unidos da América: a função de representatividade e os resultados no Estado da Florida durante as votações presidenciais do ano 2000.

Referências

WILENTZ, Sean. The Age of Reagan: A History, 1974-2008. New York: Harper, 2008.